Alguns leitores vão ao cinema. Alguns cinéfilos lêem livros. E, na maioria das vezes, somos nós mesmos estas duas pessoas em uma só.
Quando estas duas instâncias calham de conviver num ser pensante e que tem acesso a meios de publicação de conteúdo, ele assume no registro de suas posturas (ou seja, quando publica um post ou comentário sobre este livro ou aquele filme) uma das posições possíveis:
Os dois “times” têm integrantes de igual peso, com argumentos muito bem fundamentados. Em resumo, vendo o filme antes você não fica preso a linha narrativa do filme e/ou lendo o livro antes você é um expectador mais crítico.

Neil Gaiman tem poder. É indiscutível a habilidade que o escritor inglês possui em recuperar mitos. Para mim é sua mais nítida qualidade/marca pessoal: Gaiman recupera mitos passados e os transforma em astros presentes de um mundo pós-pop. Ou qualquer coisa assim.
Mas existe outra coisa e é em função dela que vim aqui, mais uma vez interrompendo o jejum das férias e o bom humor dos que me cercam, traçar as linhas de uma resenha rápida.
Entre a segunda quinzena de dezembro e o primeiro mês do ano, normalmente quando estou de férias, diminuo a quantidade de horas conectado em nome de uma limpeza mental associada, mui intimamente, à literatura.
E vez por outra apareço aqui comentando obras de Borges
, livros caça-níqueis madalenistas
(uma delícia de se ler sem compromisso) e coisas mais contemporâneas como as do Jonathan Safran Foer
.
A novidade desta vez fica por conta do "A Sombra do Vento" do espanhol Carlos Ruiz Zafón.