Não é um dilema novo, talvez seja tão antigo quanto o primeiro pajé. O que entregar ao público, afinal? Ser corajoso e encurtar a estrada totalmente imaginária entre cultura e cotidiano ou mastigar eternamente papinhas pré-cozidas de conhecimento e entretenimento fútil?
Será verdade que a cultura de todos os povos a eles pertencem? Ou que povo só gosta mesmo é do luxo fútil e tudo termina na quarta-feira de cinzas com o último gari sambando e varrendo a alegria de uma festa que já acabou faz tempo?
Eu opto sempre pela primeira opção, aquela em que Sinfonias
, Sambas
, Segall
e Saramago
convivem. Não compro a idéia de que “isso ninguém vai entender”, “aquilo é high-culture demais para classe C-D”, por três motivos.
É o mais óbvio: você não pode culpar alguém por não gostar do que não conhece sem ter a coragem de fazê-lo conhecer. Com que base podemos afirmar que um Noturno de Chopin
emociona mais o presidente da empresa do que seu copeiro? Alguém por acaso deposita emoção em conta na suíça?
Desde mil novecentos e escola de comunicação que já entendemos que as classificações entre o fazer cultural são puramente ditames de um mercado ávido por classificações. Galerias, gravadoras, museus, escolas e uma imensa corrente dependem disso. Mas não comprem isso não. Levem o coral para o campo de futebol!
É quase pueril no mundo de auto-produção de conteúdo que temos hoje acreditar que o genial vai nascer de uma classe ou outra.
É encurtar mercados também creditar sempre ao mesmo tipinho, morador da higienópolis/ipanema ideal, um shangrilá de talentos, a função de processar e disseminar (mercadologiamente ou não) esta produção.
Enfim...
Vida longa a vida louca. Todo mundo pode produzir o todo.
photo credit: AlphaTangoBravo / Adam Baker
rapaz, muito boa essa
rapaz, muito boa essa discussão, hein?
só o Joãozinho Trinta é que, ao meu ver, foi usado meio que com um despropósito, já que ele é visto como modelo de vanguarda em várias camadas sociais e culturais desde o que, década de 80??
Foi só uma
Foi só uma metáfora...propositalmente escolhida para revalizar clássico e profano. Hans Donner é que ia pegar mal, né?
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