Atente bem para essa imagem aí em cima. Ela pode ser o fim das TVs como nós conhecemos. Quem disse isso foi a própria Amazon (tá, não disse, mas deixou a entender) ao lançar discretamente o serviço chamado Amazon Studios.
Como todos nós sabemos, a turma de Jeff Bezos não curte intermediários. Fizeram isso com o varejo, e, principalmente com o mercado editorial. Não é de hoje que vemos a lista de mais vendidos ser populada por autores surgidos a partir de sua plataforma chamada Kindle Direct Publishing. Para autores iniciantes é uma boa jogada: após enviar o material e entrar nas prateleiras virtuais do gigante do e-Commerce, você pode até mesmo virar um best-sellers. E milionário.
E, se o Youtube apresentou ondem um chapéu gordo e sem fundo à investidores (pediu US$ 200 milhões para investir em produções de seus canais próprios) a Amazon acredita muito corretamente no poder da cauda imensamente longa dos criadores independentes.
O funcionamento é análogo ao serviço de auto-publicação. Você pode submeter os seus roteiros, que devem ser ou de comédia (com até 22 minutos) ou infantis (11 minutos); e por 45 dias eles serão avaliados pelos editores da empresa.

Caso seja selecionado pelo time de produção, você já fatura $10.000. Depois, a serie entra no clima de pilotos, trailers e avaliação da comunidade de usuários do serviço Amazon Instant Video, que também podem faturar $ 7.000 em prêmios. Ao final do processo, se a sua série for escolhida, o autor fatura $ 55.000 e mais participação na venda de artigos relacionados a série.
Sim, o processo cultima com um contrato de merchandisign daquilo que você criou, comercializado pela Amazon…
Vocês lembram que há algumas semanas o caldo entornou pro lado da Amazon, não? Ainda está rolando toda aquela questão sobre a acusação do modelo de agência e tudo o mais. Em contrapartida, o Kindle Fire tem a ambição de ser o carro-chefe de seus tablets. E o que o super colorido e não-E-ink device pecisa para despontar? Conteúdo exclusivo. De rápido consumo. E que utilize todas as funcionalidades do equipamento.
Sacou? Mas, isso é briga de cão e gatos muito grandes. Sem falar das maçãs.
Fosse eu você, prepararia seus originais agora mesmo para tentar abocanhar sua fatia desse bolo.
Sabe aquele tipo de pessoa que, sentada com você em uma mesa de bar, consegue conectar os assuntos, as pessoas, livros que leu e filmes que viu em um único discurso de forma que, ao pagar a conta e caminhar para o estacionamento, deixa você pensando: “que mente viva e brilhante!”
Agora imagine reunir essas pessoas ao redor de uma ferramenta que potencialize as narrativas de seus livros preferidos, de forma a relacionar todos os lugares, pessoas, músicas, filmes e o que mais elas lembrarem em um formato participativo? Essa é a Small Demons, uma startup baseada em Los Angeles que promete complementar as narrativas de livros e personagens preferidos com infinitas informações correlacionadas.

O trabalho, que muito bem poderia ser o 13º de Hércules, é mantido pelo Pensamento Coletivo de seus próprios usuários. Um detalhe curioso é que, no melhor estilo crowdcontent, existem camadas de participação, que vão da simples menção a uma incorreção no já publicado, até o Olimpo dos Curadores, mestres em determinado tópico que recebem distinção especial do site.
O modelo de negócio é todo baseado em programas de afiliados de grandes redes de venda de conteúdo americana (Amazon, Barnes & Noble, Kobo etc) e ainda não mostrou a que veio, nesse quesito. Naquele relativo à utilidade da ferramenta para pesquisa, contudo, ele dá um show.
Tome por exemplo a página do American Gods, do mestre Gaiman. Vejam como a leitura ganha, como a narrativa parece mais viva e completa ao navegar por itens como os lugares por onde a história se desenrola, programas, filmes e músicas citadas no livro e até mesmo – em uma leitura mais transversal -, comidas, gadgets e marcas citadas. Muito bacana, não?
Ao que tudo indica, a isca do programa de afiliados é apenas para teste de conceito porque, parece claro que o que está sendo construído pela turma do Smal Demons é sim, uma completa plataforma para se contar boas histórias, espaço pelo qual anunciantes estão matando por. Agora é ficar de olho no que vem por aí.
E vocês, o que acharam? Vinga?
Como uma coreografia bem ensaiada, soubemos que o Instagr.am chegou aos Androids e, sem seguida, foi comprado pelo Facebook. É claro que uma coisa tem a ver com a outra e o ganho de escala foi negociado durante muitos meses, muito provavelmente como moeda de troco.
Aliás, o troco está sendo avaliado em 1 bilhão de dólares o que nos leva a crer que tem brasileiro rindo à toa, no caso o co-criador do aplicativo, Mike Krieger. Que aliás, foi capa da Veja nesse final de semana. #significa?
Que se aplique um filtro de enfoque correto, que se retire as bordas gordurosas do raciocínio fácil Mas, o mercado é sempre assim desde que o Google lançou e desdobrou essa estratégia que nos diz que, uma vez que você tem um espaço que quer conquistar, pode comprá-lo através da ferramenta que dele toma conta. Ao que tudo indica, Markão quer dominar a Matrix (ou Skynet) sob todos os ângulos. E filtros. E bordas. E tags.
O ato de hoje à tarde, contudo, tem um valor ainda maior quando o utilizamos para entender a infatilização do mercado digital brasileiro. Isso porque, durante o final de semana passado – que foi de feriadão – , não foram poucos os “insiders” que se preocuparam mais em clamar contra a “Orkutização” de sua ferramenta cool.

No lugar de entender que a massa crítica seria importante (será, ainda) para a monetização do serviço, para estratégias e desdobramentos das marcas de seus clientes e tudo o mais; priorizou-se temer o fim da cúpula descolada. Tudo o que se ouviu, em memes já cansados e repetitivos, foi o medo da foto da laje, do chevete no lugar do Corolla, do “ném” do lugar do #classemediasofre. Enquanto isso, outro representante da mesma geração, negociava um acordo bilionário, mantendo empregados e seu app intocado, mas sob a batuta do grande “F” Azul.
Que se aplique um filtro de enfoque correto, que se retire as bordas gordurosas do raciocínio fácil e que você só suba a melhor foto (ou opinião, ou visão de mercado) do dia. Não tema a Orkutização, pois ela não existe mais.
E, quem não abrir o olho, também ficará para trás.