Em um trabalho absolutamente criterioso e bem montado, a DM9DDB lançou semana passada o resultado de sua pesquisa “Perfis Digigráficos” que consolida os levantamentos feitos em parceira com a Vox Pesquisas sobre como interagimos com as mídias digitais.
Como muito bem falado no vídeo de introdução que você pode assistir logo abaixo, o mundo digital não é mais fronteira de poucos, de desbravadores ou geeks sem alma. É, antes disso, o lugar comum, a praça pública.
É onde aprendemos, interagimos e damos voz a nós mesmos, àquilo que achamos que somos; é a fronteira do eu, do outro, das instituições que nos rodeiam e do mundo em que vivemos. A partir dessas instâncias e da constatação que variáveis como idade, sexo e domicílio fazem tanto sentido como vender passagens de avião em mundos virtuais onde podemos voar, foi cunhado o termo que batiza a pesquisa.
Ao entrevistar diversas pessoas, consultar especialistas (antropólogos, psicólogos e educadores) e pensar um pouco, a pesquisa propõe reclassificar o mundo digital em cinco grandes grupos: imersos, ferramentados, fascinados, emparelhados e evoluídos.
Segundo Cynthia Horowicz, vp de planejamentoda DM9DDB:
…o estudo reforça o posicionamento que escolhemos para a DM9DDB como uma agência convergente. Geramos ideias e construímos marcas independentemente da plataforma.
Vale dar uma olhada no “memorial” da pesquisa, disponível no Blog da agência.
A rede educacional americana OnlineEducation.net publicou recentemente o resultado de suas pesquisas em um simpático infográfico, que nos leva a uma conclusão evidente: até 2015, alunos de lá estarão estudando com a ajuda de eBooks.
Uma rápida olhada em “Os livros didáticos do futuro” revela que 42% dos estudantes já viram ou compraram eBooks em 2010, em um total de 400% de aumento de vendas nos últimos três anos. Estamos falando de uma indústria de US$ 5,5 bilhões de dólares e de outra excelente notícia: pelo menos lá nos EUA, os eBooks didáticos são 53% mais baratos que sua cópia física (alô editoras nacionais!).
Tirando este bla-bla-bla numérico, são ainda mais interessantes as constatações sobre o formato e experiência de uso envolvendo livros didáticos eletrônicos. Continue lendo »
Ficou atento ao lançamento do Kindle Fire hoje, realizado pelo próprio Jeff Bezos? Pois saiba que deveria, pois poderia ter assistido ao oferecimento de uma singela dose de razão&sensibilidade, e esperta estratégia, do fundador da Amazon e de seu time. Quer saber por quê? Acompanhe.
Você está certo se entender que o Kindle Fire é um tablet com tela de 7 polegadas, que acessa apenas a rede Wi-Fi, oferece conteúdos de livros, revistas, músicas e séries de TV direto da Amazon App Store e suas filiais temáticas, além de poder compartilhar e armazenar este conteúdo nos serviços “em nuvem” da empresa (Amazon Cloud Player, Amazon Cloud Drive, Kindle Cloud Reader e Amazon Cloud).
Também estará certo se deduzir que, sendo mais leve e rodando um Android adaptado, será mais simples de se usar. Mas, aí vai o tema do post, precisará ficar atento a real escolha por isso tudo.
Reinando absoluto no mercado de tablets, o iPad precisa tomar cuidado com seus rumos e com a famosa lição que os CD-ROMs nos deixaram. Quem não se lembra dos anos 90, quando estávamos empolgados com a possibilidade de compactar a Enciclopédia Britânica em dois disquinhos levíssimos? Eles teriam fotos, vídeo, gravações de áudios raros, muito texto e, vez por outra seriam atualizados pela empresa mantenedora daquele conteúdo.
Tá, você vai dizer que estou forçando a barra e que CD-ROMs foram uma tecnologia de transição, logo avassaladoramente varrida do mapa pela WEB. Mas quem disse, cara pálida, que os tablets não são também a transição para um novo paradigma de consumo de conteúdo? Há meses (note bem MESES!) atrás falávamos sobre novas estruturas narrativas, sobre trilhas sonoras que acompanhariam os livros, sobre AppBooks que seriam (e são ainda) divertidos e que teriam efeitos mirabolantes para engrandecer a estória contada?
…quem disse que os tablets não são também a transição para um novo paradigma de consumo de conteúdo?Saiba que não são poucos os analistas desta cena que advogam um modo de produção mais simples e um comportamento de consumo mais focado.
Pausa para momento de reflexão.
É mentira deslavada que as pessoas gostam de ler cada vez menos. O raciocínio é outro: o conteúdo está cada vez mais disponível para quem tem potencialmente a vontade de consumi-lo. Traduzindo em miúdos é o mesmo que falar que não se produz música de qualidade no Brasil pois temos, aqui, Funk e Axé e se esquecer do Chorinho, da Nação Zumbi e de alguma banda muito talentosa que toca na garagem ao lado de sua casa. E outra: o conteúdo literário ou noticioso nunca foi um projeto para todos. O todo não lê. Mas, no entanto, mais (muito, muito mais) gente pode ler agora.
Sabe qual é a diferença? A diferença é que os dois públicos têm voz. E um acaba sendo mais barulhento do que o outro. Mas isso é outra coisa.
A família Kindle é a de mais sucesso até agora pois é extremamente focada. São bons leitores, mais agradáveis aos olhos e já ajudaram a lançar autores pós-adolescentes que ficaram milionários, dada a imensa comunidade proprietária do equipamento.
Seguindo esta acertada tendência, o Kindle Fire não tem câmera nem entrada para teclado. É um terminal-burro para leitores inteligentes. É o menos é mais. E isso é seu grande acerto. As vendas começam em novembro. A Amazon já se estabeleceu em território nacional.
Alguma editora na plateia?