Neil Gaiman tem poder. É indiscutível a habilidade que o escritor inglês possui em recuperar mitos. Para mim é sua mais nítida qualidade/marca pessoal: Gaiman recupera mitos passados e os transforma em astros presentes de um mundo pós-pop. Ou qualquer coisa assim.
Mas existe outra coisa e é em função dela que vim aqui, mais uma vez interrompendo o jejum das férias e o bom humor dos que me cercam, traçar as linhas de uma resenha rápida.
Eis que é a seguinte: Gaiman também recupera leitores perdidos. Não sei como ele faz esta mágica, que linhas de força ele conjura, que druidas
ele acorda numa madrugada fria da escócia, que sub-Londres ele visita para ter estas idéias, mas Gaiman deveria ser contratado por todos os mercados editoriais do mundo que vislumbrassem uma crise daquelas de secar as rotativas e, de repente, recuperaria os leitores de um país inteiro.
(Aliás, como será que se contrata um cara assim? Alou, Sr. Gaiman, tenho uma proposta profissional para o senhor? Sei lá.)
Voltando: ele fez isso uma vez, quando recuperou uma geração inteira (eu estou nesta geração) desiludida com os quadrinhos de baixa qualidade e puro-músculo de então, sendo este então aquela década morna, cinza e grunge dos anos 90. Chegou o Gaiman e – puffff- , nos soprou a areia de Sandman
bem nos olhos e disse: tomem, isto é possível.
Sandman (uma obra renascentista, contemporânea, pop, vitoriana, tudo ao mesmo tempo agora, que não canso de ler até hoje.) me trouxe de volta aos quadrinhos...mas...com Deuses Americanos
e Stardust
, ele recuperou em mim também a possibilidade da leitura fantástica.
E nestas férias uma de minhas paradas (a outra já comentei aqui) foi em Lugar Nenhum
o primeiro romance do autor, uma transliteração da série que ele criou para a BBC, rememorando meus primeiros encontros com a turma de Destino, Morte, Desespero, Delírio e Cia.
Em Lugar Nenhum
acompanhamos os estranhos acontecimentos na vida de Richard Mayhew, um cara que seria por nós cariocas descrito como um típico “zé roela”. Um trabalho chato, uma noiva sem sal (ta, é inglesa...já é pedir demais também), uma rotina avassaladora vivida num micro apartamento londrino.
Mas tudo muda quando Richard salva uma moça caída no meio da rua. A partir daí, acompanhamos o mesmo tipo de reencontro com o a fantástico que descrevi aí em cima quando falava de minhas leituras. Um reencontro que acontece entre Richard Mayhew e uma Londres-de-Baixo, o único lugar onde ele é visto, já que na Londres de Cima ele simplesmente tornou-se um ser invisível e inexistente.
Invisível no mundo chato-real, visível e heróico no mundo fantástico da Londres-de-Baixo, Richard enfrenta sua travessia, sua missão e suas limitações internas. No início da leitura até surgirão questões clássicas como: Qual dos dois mundos ele escolherá? Serão tão diferentes estas duas maneiras de ser? Mais uma vez a descoberta mais importante não está do lado de fora.
Mas não se deixe levar pelo lugar comum,você está em Lugar Nenhum
, e o poder de re-escolher e refazer histórias é seu.
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[...] « Vá a Lugar Nenhum e
[...] « Vá a Lugar Nenhum e reconte sua história. Baseado em fatos irreais escritos por Neil Gaiman. [...]
Neil Gaiman é muito bom
Neil Gaiman é muito bom mesmo. Comprei um livro dele chamado "Marvel 1602" onde ele contava a história dos personagens da Marvel em 1602. Espetacular. Realmente o cara tem poder.
hehehe
Bom post Mauro.
Abs
[...] escrevi sobreo Neil
[...] escrevi sobreo Neil Gaiman num posto lá no ContémConteúdo mas trouxe esta entrevista, concedida a Edney Silvestre semana passada quando ainda estávamos no [...]
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