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Quando Andrew Keen decide falar, os gurus das novas mídias sentem seus estômagos tremerem. Ele é o que se pode chamar de anti-guru da internet, posição contraditória para alguém que, nos primórdios da web, foi um de seus empreendedores.
O big-bang de sua carreira de autor nos chegou através do “Culto do Amador”. Leitura obrigatória para quem ousa estudar o conturbado rio das mudanças diárias da cultura digital, este livro diz tudo o que não gostaríamos de ouvir.
Sua tese central é a de que a internet veio para destruir a cultura, a função do autor, dos distribuidores de conteúdo e de todos os “avanços” que a indústria cultural nos trouxe a partir, sobretudo, do século XX. Viveríamos então em um mundo acéfalo, sem valor agregado e, portanto, sem geração de cultura válida e legitimada. Sim, é um livro controverso e, repetimos, essencial.
Pois o Sr. Keen volta agora com uma nova obra, dessa vez, atacando as redes sociais e demais ferramentas de compartilhamento naquilo que, realmente, é seu calcanhar de Aquiles: a privacidade de seus usuários. Em Digital Vertigo o vilão primordial é o Facebook. Segundo o autor, ao revelar mais e mais dados de nossas vidas, estaríamos criando uma geração sem mistério, sem campo para descoberta. A solução? Retornar com algumas características do “mundo antigo”, pré web-social, como a capacidade de esquecer. Segundo ele, “quando o Facebook tiver a capacidade de esquecer eu retorno a esta rede social”.
Confira a entrevista em vídeo (inglês) e não deixe de conferir a introdução de Digital Vertigo neste endereço.
O designer Kriz Barz criou uma série de HQ diferente: o desenrolar da trama acontece diretamente na timeline do Facebook. Vale acompanhar as idas e vindas do estagiário Caio em uma empresa responsável pela segurança das informações da internet nacional.
Como uma coreografia bem ensaiada, soubemos que o Instagr.am chegou aos Androids e, sem seguida, foi comprado pelo Facebook. É claro que uma coisa tem a ver com a outra e o ganho de escala foi negociado durante muitos meses, muito provavelmente como moeda de troco.
Aliás, o troco está sendo avaliado em 1 bilhão de dólares o que nos leva a crer que tem brasileiro rindo à toa, no caso o co-criador do aplicativo, Mike Krieger. Que aliás, foi capa da Veja nesse final de semana. #significa?
Que se aplique um filtro de enfoque correto, que se retire as bordas gordurosas do raciocínio fácil Mas, o mercado é sempre assim desde que o Google lançou e desdobrou essa estratégia que nos diz que, uma vez que você tem um espaço que quer conquistar, pode comprá-lo através da ferramenta que dele toma conta. Ao que tudo indica, Markão quer dominar a Matrix (ou Skynet) sob todos os ângulos. E filtros. E bordas. E tags.
O ato de hoje à tarde, contudo, tem um valor ainda maior quando o utilizamos para entender a infatilização do mercado digital brasileiro. Isso porque, durante o final de semana passado – que foi de feriadão – , não foram poucos os “insiders” que se preocuparam mais em clamar contra a “Orkutização” de sua ferramenta cool.

No lugar de entender que a massa crítica seria importante (será, ainda) para a monetização do serviço, para estratégias e desdobramentos das marcas de seus clientes e tudo o mais; priorizou-se temer o fim da cúpula descolada. Tudo o que se ouviu, em memes já cansados e repetitivos, foi o medo da foto da laje, do chevete no lugar do Corolla, do “ném” do lugar do #classemediasofre. Enquanto isso, outro representante da mesma geração, negociava um acordo bilionário, mantendo empregados e seu app intocado, mas sob a batuta do grande “F” Azul.
Que se aplique um filtro de enfoque correto, que se retire as bordas gordurosas do raciocínio fácil e que você só suba a melhor foto (ou opinião, ou visão de mercado) do dia. Não tema a Orkutização, pois ela não existe mais.
E, quem não abrir o olho, também ficará para trás.